5 de Fevereiro
Que preguiça.... primeiro
dia de aula das meninas, levantei as 7:30 para conseguir rolar da cama às 8h.
Fiz o café da manhã e como acabou o pão e os biscoitos, fui me aventurar a
fazer um cuscuz para acompanhar o meu café forte que esse povo aqui não ta
acostumado. Até que o cuscuz ficou bom! Mas me pediram para passar margarina na
panela com ele e lá se foi a margarina também. Tsc. Agora acabou a margarina, o
pão e os biscoitos. Haja criatividade.
Almoçamos as 11:15 (é, ô
gente pra comer cedo!) e foram se arrumar para a escola. Eu fui na vizinha
entregar as Havaianas das meninas que estavam na minha casa e na volta uma
vizinha do Lar veio me perguntar se podia levar a menina M. para sua casa à tarde,
pq ela está se mudando e precisa de ajuda para arrumar as coisas. Achei ótimo,
pq a menina M. não frequenta a escola pq vive fugindo e arrumando confusão com
todo mundo. Passando a tarde fora, ela estaria ocupada, trabalhando, ajudando
alguém e talvez ficasse feliz de não passar mais uma tarde enfiada em casa
vendo TV. Para mim foi ótimo Mesmo pq fiquei sem nenhuma menina em casa e
fiquei livre para ir ao Posto de Saúde marcar o dentista para elas e no
mercadinho comprar o biscoito e a Coca que a menina J. me pediu e eu esqueci
completamente um dia antes (rs).
Na volta, direto a casa da
Miss vizinha, ela recebeu um email de um parceiro dizendo que podemos inscrever
os adolescentes no programa de Menor Aprendiz da Sefaz-TO e fomos lá na
internet. Saímos, tomamos aquele cafezinho de vizinhas e fui me deitar uma
horinha já que estava sem filhas. Quando levantei vi pela janela (morar num
complexo dá nisso...) que chegou uma doação de alimentos e fui lá buscar o da
minha casa. Ganhamos legumes, leite, chocolate e pão. Ah... pão, que feliz!
A menina M. voltou do
‘serviço’ meio esquisita. Meio revoltada e reclamando de tudo. Achei muito
estranho pq ela sempre fica em casa só vendo TV e detesta. Achei que ela ia
voltar toda feliz e ela voltou toda nervosinha. Logo logo entendi o por que.
Começou a reclamar de dor nas pernas, pq lavou muita roupa, dor na mão, dor na
coluna.....rs. Já tinham me avisado que ela não gosta de trabalhar, então tava
tudo explicado. Ai ai. A miss que cuida dela sempre me mostra essa preocupação
pois ela não se interessa por nada, não quer trabalhar, nem ajudar ninguém e
não tem família. Já tem quase 18 e em breve terá de sair daqui. E o que será
dela?
Logo depois as outras
chegaram da escola. Ficamos de papo um cadinho sobre como foi o dia delas
enquanto eu ajeitava o jantar (super-sobra do almoço com uma pitada de orégano
e ketchup e elas acharam que era alguma iguaria carioca). Ah, quase fizeram uma
rebelião pq eu não achei manteiga para fazer um brigadeiro. Ai ai,
adolescentes.
Jantamos e fui dar uma
espairecida no chalé de uma das vizinhas enquanto as meninas limpavam a
cozinha. Achei outra vizinha na casa onde eu fui e ficamos falando sobre a
decoração da festa da próxima sexta-feira. Vi a novela um cadinho (sério... ô
coisa chata) e voltei pra casa. Ajudei a menina J. com a
tarefa da escola (no Rio a gente diz ‘dever de casa’ e aqui eles chamam só de
‘tarefa’) que falava sobre a pré história e estou tentando ensinar a menina T.
a ler – vê se pode... a moça tem 14 anos, está no 4º ano e não sabe ler. Mas
fiquei surpresa de ver os cadernos todos escritos dela. Ela copia di-rei-ti-nho
do quadro. Ainda to achando isso muito estranho, mas a bichinha realmente lê
quase nada.
Enfim mandei todo mundo pra
cama às 22:30 e fui viver minha vida. Entrei no meu quarto com 2 litros de Kuat
e um pacotão de salgadinho, liguei a TV, tomei um banho.... liguei pra Gisela e
pro meu pai. Tava vendo o Jornal da Globo, crente que ia dormir quando a Miss
T. bate na minha janela e diz que ta tendo uma reunião de Miss e eu tenho que
ir. Chegando na casa da vizinha, o assunto era a despedida que faremos para a
Miss N. que está indo embora no dia seguinte. Programamos a surpresa e voltei
pra minha TV com salgadinhos...... e fiquei de bob até pegar no sono. O tempo
que tenho para mim é só esse, no fim do dia. E o valor que a gente dá quando só
tem umas horinhas para si é uma coisa maravilhosa.
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